17 setembro, 2009

Parabéns


Parabéns Sir!

Hoje faz anos o maior piloto que nunca foi campeão mundial. Em 17 de Setembro de 1929 nasceu em Londres Stirling Moss. Piloto que foi vice campeão 4 vezes consecutivas entre 1955 e 1958, precisamente na época dourada da fórmula 1, quando os carros eram pilotados por homens e não por processadores. Os carros foram os lendários Mercedes W196, Maserati 250F, Vanwall 57 e Cooper T43

Moss ganhou 194 de 467 corridas em que participou. Participou recentemente no grande prémio histórico da Boavista de 2009 num OSCA e também na sua promoção, em 17 de Maio último, num evento que reuniu dezenas de descapotáveis reunidos em volta do Castelo do Queijo.

O episódio mais marcante na sua carreira foi a vitória na Mille Miglia de 1955, concluindo os 1597 quilómetros de estrada aberta com o tempo de 10 horas, 7 minutos e 48 segundos, no Mercedes 300SLR nº722 (vide McLaren Mercedes SLR 722 Stirling Moss, hiper-carro criado para a comemorar a efeméride) à frente de Juan Manuel Fangio. Outro episódio entre os dois foi quando Moss ganhou a Fangio no GP da Grã-Bretanha de 1955, em que Moss ultrapassou o seu colega de equipa no último momento. Até à morte de Fangio, o seu colega e amigo Moss o questionou se ele o tinha deixado ganhar na sua terra natal, a que o lendário argentino sempre lhe respondeu que Moss simplesmente tinha sido melhor nesse dia. Histórias do tempo dos gentlemen drivers.


Elio Zagato R.I.P.



Morreu no passado dia 14 de Setembro o designer e piloto Elio Zagato, com a bonita idade de 88 anos. “Doctore”, como era conhecido, era o filho do fundador da nossa conhecida Zagato, junto com Ercole Spada não só ajudou a nascer carros de marcas italianas e Aston Martins, como também veículos de outros construtores. Elio esteve em corridas ao mesmo tempo que Juan Manuel Fangio e Tazio Nuvolari.

A Zagato Carrozzeria ficou conhecida pelas inovações aplicadas em carros de corrida, que ficaram para a posteridade pela sua leveza, graças à utilização de materiais como o plexiglas. O tecto de dupla bolha e a “coda tronca” também são características de que todos nos lembramos quando pensamos em Zagato.

Elio cedo entrou para as corridas, tendo corrido 150 e ganho 85 delas, das quais 1 Targa Fiorio e várias Taças InterEuropa.

Recentemente Zagato especializou-se em carroçar exemplares únicos ao estilo “Haute Couture” e os seus valores são, como descreve este recente press-release:

“In homage to the tradition of the gentlemen drivers who asked Zagato to transform the bodywork of their cars, modern collectors choose mechanics at the top level of technical evolution and ‘dress’ them in tailor-made garments that increase in value as time passes.

This is the mission of a modern automobile atelier: to create timeless objects that celebrate prestigious models and brands and which, unlike mass produced vehicles, are destined to last for ever.”

Elio Zagato, ficará na memória colectiva, tais como as suas criações, para sempre.


10 setembro, 2009

DESAFINADO

dedico este video a Marchionne, para que ele afine a banda que parece querer perder o tom


Diário da minha viagem imaginária aos Alpes

dia 1

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Hoje é dia dos enganos. Coincidência?

Como qualquer aventureiro que se preze, pus de lado o avião e ponho-me a caminho na minha máquina diabólica: o Alfa Romeo 75 2.0 TS Rosso Alfa. Ora digam lá se não é o carro do verdadeiro aventureiro?

Saio de casa de manhãzinha para aproveitar o fresco. Esta neblina às cinco da manhã! Decidi rapar o cabelo em boa altura. Nota mental: comprar um agasalho para a tola. Ora aí está um bom quadro, Carro quadradão dos oitentas e ganapo trintão com boné na cabeça… Está um frio que me corta a pele tal como a respiração. Olho de relance para o painel para ver a temperatura, mas logo me lembro que o carro do verdadeiro não tem semelhante luxo. Paciência, o verdadeiro não treme com um friozinho matinal. Ou treme?

O som rouco do motor rasga o silêncio matinal. Passa do ronronar de um leão na savana para o uivo de um lobo que ecoa nas estepes. Depressa chego à estação de serviço para um aconchego ao estômago. A empregada não consegue disfarçar o espanto quando saio do carro. Será do boné conjugado com a barba já com uns pelitos brancos? Eu não consigo deixar de pensar no que ela esperava que saísse do carro. Para cortar com a história, ao sair do estacionamento, desenho um onze na estrada com os pneus. O barulho deve-se ter ouvido nas portagens. Não contente saco um drift no acesso á auto-estrada. Ora aí está o verdadeiro a actuar! Cinco e meia da manhã e já me estou a comportar como um catraio, tudo corre como planeado...

Durante esta primeira parte da minha epopeia nada a declarar. Como não seria de espantar com a máquina infernal a velocidades proibidas cedo dei por mim a atravessar a fronteira. Seis e meia da manhã e já estou em Espanha, nada mau. Nota mental: acertar a hora quando parar. Paro passados nem dois minutos!… Acerto o relógio: Sete e trinta e cinco locais, a hora continental europeia é que me vai interessar a partir de agora. Primeira questão: paro quando chegar a Léon ou continuo a ganhar tempo ao relógio? Tenho mais de duas horas e meia para pensar. Dez e meia, estou a chegar a Léon, mais meia hora ganha, vou sair da auto-estrada. Ainda não cheguei ao primeiro verdadeiro ponto de interesse e já me comprometi em visitar os sítios por onde passei e andei. O meu corpo já pede para eu parar. Paro em Léon.

2ºparte

Hoje não consegui dormir, talvez pela expectativa desta viagem. O quadro já começa a aparecer. O carro, a viagem, sozinho. Será que é desta que começo a contrariar a curva descendente?

Deixo-me de dúvidas que só têm lugar no psiquiatra, Léon corta-me a respiração, tal como o estômago me começa a cortar as forças. É chegada a altura de parar.

Historicamente Espanha serviu como um tampão da cultura europeia em relação a Portugal, por isso temos uma cultura tão própria e única. Quando entrei em Espanha só aí senti que estava na Europa continental, Portugal e Galiza é qualquer coisa à parte, como se fôssemos um país àparte de tudo o resto que é ocidental. Léon faz-me sentir assim, Português.

E corta-me a respiração. Estes dez minutos a dar voltas começam-me a fazer repensar o plano de viagem, se calhar nesta epopeia até Stélvio faço um desvio a Dijon para matar saudades. Tenho de parar o carro e andar um bocado a pé. Ver alguns destes postais de viagem. Fico por cá para almoçar. Mas para já uma Tapa. Para beber: un corto, porque o dia já vai longo e a minha regra de não beber de manhã acho que desta vez se pode contrariar. Para adoçar: mantecadas. Agora sim o Sol já parece sorrir.

Uma volta pela cidade.

A catedral de Léon... - Está decidido, faço o desvio para Dijon - A catedral de Léon (igrejas são a minha forma arquitectónica favorita) é uma maravilha do meu estilo arquitectónico preferido, o Gótico. Daí a decisão de matar saudades de Dijon.

A catedral de Léon. Acabo por queimar o tempo que tinha para dar umas voltas, fixado na Catedral. Vê-se o resto de relance com o carro: Mosteiro de S. Marcos, o Palácio dos Guzmanes, a casa de los Butines(desenhada por esse ganda maluco que foi Gaudi) e o museu MUSAC, este sim, convenceu-me a cá voltar.

Almoço. Cocido léonés servido com uma sopa para abrir as hostilidades.

3ºparte

Stress pós-traumático de bem comer

Meto-me logo à estrada na esperança de não me deixar ultrapassar pelo ataque de endomorfinas que aí vem. O Sol da tarde na Meseta Ibérica até Burgos. Que programa interessante… duas horas de carro a vêr se não me estampo do sono. O Sol bate-me nos olhos ampliado pelo pára-brisas picado e arranhado pelas escovas do Alfa, nem as palas me protegem. 180km parecem 1000km! Quando chegar a Burgos tomo un corto.

A recompensa. A cerveja teve de abrir caminho na garganta colada. Un corto revelou-se curto. Outro. Agora sim, posso comer alguma coisa. O quê? Não vou gastar energias a decidir, Tapa, está decidido!

Burgos. Depois de Léon parece-me mais pequena de interesse, além disso não me posso desviar do objectivo e meter-me a caminho.

4º parte

Mais três horas de viagem e fecha-se o capítulo Espanha. Destino: Biarritz, logo a abrir França. Mais uma vez debato-me com os sintomas do Sol baixo e do cansaço de mais de 800km de trajecto durante todo o dia. Mas foi um bom primeiro dia pois Portugal e Espanha ficaram para trás. Pelo caminho ainda passo por Vitória e San Sebastian, mas nem paro, a próximidade dos Pirinéus fazem-me ougar pelos Alpes. A estrada entalada entre o Golfo da Biscaia à esquerda e os Pirinéus ao fundo à direita, com este Sol a desaparecer no lado do Atlântico é a tal paisagem que muitos gostam de chamar edílica, neste momento faz-me talvez um amargo de boca, pois de alguma forma me faz lembrar de um fim de semana com alguém que eu preferia esquecer. Engraçado como o coração teima em prevalecer sobre a consciência. Adiante.

Chego a Biarritz pouco antes das oito, mas sigo para Bayonne. Quanto a recordações ainda é pior a emenda que o soneto. Até o hotel me parece fazer vir à tona recordações. Um mau final para um dia que parecia estar a correr bem.

5º parte

Amanhã o programa promete: Bayonne, Pau, Toulouse, Narbonne, Marselha, Mónaco e Génova. Isto a correr muito bem! Atravessei Portugal e Espanha hoje, Amanhã terei de forçosamente atravessar França. Vamos vêr. Para já jantar no Lousteau, um hotel com vista sobre a baixa medieval, junto ao rio Adour. A vontade é conhecer esta cidade simpática. Depois de jantar vejo a disposição.

A disposição não chegou, ou seja, o melhor que vejo de Bayonne é esta vista estupenda do rio do pequeno quarto a preço simpático. Compensa em relação a Biarritz, talvez na volta por lá fique uma manhã a relaxar na praia. Tempo de ligar o computador e o telefone para verificar as mensagens. Mas que raio(!), eu disse longe de tudo. Férias de tudo e de todos. Ok, uma mensagem para a mãe e torno a desligar o telemóvel. Quando é que deixo de ser o menino da mamã?... Nem abro o mail! Apenas uma volta pela net e uma revisão dos contactos necessários para o dia de amanhã. Ligo a TV. Nada. Mais uma espreitadela pela janela e o sapo fica entalado na garganta… Será que volto?

Enfio-me na cama. O sono não aparece. O corpo e a mente continuam desregulados. Ligo a televisão, costuma resultar como sonífero. Nem assim. Levanto-me e fico sentado na cama com a cabeça segura pelos braços. Vou lá abaixo ao bar.

Peço um Kir. O fulano responde: “sim”. Estou tão imerso nos meus pensamentos que só dois segundos depois me apercebi. Retorqui: “tem cassis de Dijon?”. Responde outra vez em Português: “SÓ de Dijon!”. Encontram-se por todo o lado, por aqui até nem é surpresa, mas não tinha aspecto de ser Português. “como é que sabe que sou português?” perguntei. “Vi-o a chegar, com matrícula portuguesa. Das antigas”. “É um clássico, mas só o tenho à pouco. Comprei-o para esta viagem, custou-me mais recuperá-lo que adquiri-lo”. “Veio de Portugal com aquele carro, de onde?”. Senti a admiração... “Do Porto”. “Está de férias então, mas já esteve em França!” “Sim, já. Mas só umas semanitas. Como sabe?”. “Cá está, um Kir à portuguesa! caprichado”. Fez-se uma curta pausa. De menos de segundo. “Pediu um Kir, e isso não é vulgar num turista de fora”. “ Por cá à muito tempo?” perguntei confiante no sotaque típico de emigrante português em França. “Desde que nasci, os meus pais é que são portugueses, de Avintes”. Apeteceu-me rir... submerso no preconceito.

Ora aí está, um português nunca está só. E mais a mais até se esqueceu de me cobrar pelas bebidas: “Boa sorte na sua viagem!” Desejou, descrente da resistência da minha montada… Despeço-me e retiro-me.

Até me custa lembrar da porta do quarto! Por isso a numeração na chave. Genial! Agora sim, estou pronto para o descanso do guerreiro. No sexto canal um daqueles filmes franceses que aparenta ser dos anos setenta, clonados de Emanuelle. Os loucos dos anos setenta... Como os gostos mudaram. A historia decorre lentamente, e tudo o que se passa são as mamas minúsculas da artista principal. O argumentista parece querer explicar o caminho para chegar ao sado-masoquismo num ambiente romântico. Romântico literário. Romântico como a floresta Negra. O ideal para adormecer. Amanhã adivinha-se um acordar ressacado pelo branco seco do Kir.

Dia 2

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

O dia dos enganos passou-se e nem me lembrei.

Acordo com a ressaca esperada, conjuntamente com a azia, que embora não fosse de esperar, também não era uma completa surpresa. O Lanzoprazol também ficou para trás. Só trouxe mesmo muda de roupa para uma quinzena, portátil, telefone e os acessórios para o dia a dia. Refiro-me aos de higiene. Os chinelos de quarto do Lousteau eram geniais, até que mereciam o roubo da praxe. Mas isso é o que estão à espera de um português, logo ficam para trás.

Pequeno-almoço leve, check-out e hora de me meter a caminho. Olho para o Alfa. Cada vez mais sinto a ligação com o carro. Será psicose minha? Para já mais um dia ou dois de auto-estradas, mas depois, a merecida recompensa!

Foi uma noite repousante. Agora os Pirinéus de novo à minha direita. Estou em Toulouse a tempo do almoço.

Toulouse nunca me poderia surpreender porque simplesmente me passou até hoje completamente ao lado. Mas uma coisa me saltou logo à retina: o ambiente. Logo justificado pelo empregado da pequena esplanada onde me abanquei. Um quarto da população são estudantes. Talvez por isso o ambiente borbulhante e acelerado. E a concentração de decotes é altamente quente, tal como o clima neste dia solarengo e seco, não corre brisa. Faz-me lembrar Portalegre. Para almoço vou matar saudades do feijão e como cassoulet. Má escolha. Estranho o sabor das salsichas, ainda pior que Izidoro. Deixo esta cidade construida em tijolo burro com curiosidade de saber como será à noite.

Direcção Mediterrâneo, Marselha. Chego à costa, mais precisamente Narbonne. A partir daqui sempre ao longo do mar. As cidades ao longo da costa sucedem-se: Narbonne, Béziers, Montpellier, Nimes, Sallon-de-Provence, só paro em Marselha, após quatro horas seguidas sem parar. Tempo de aconchego ao estômago e de esticar as pernas.

Curioso o mosaico de culturas em Marselha. Como peixe seco numa banca magrebina regado com Ricard diluído com água. Até nem costumo ser grande adepto destas bebidas anisadas, mas que o peixe puxa isso puxa! Que mistura explosiva!... Quando me preparo para sair de Marselha, menos de uma hora depois de chegar o estômago já clama por mais. Foi do Ricard diluído? E pelos vistos diluído directamente nos meus neurónios, como se tivesse levado um chuto na testa. Não resisto a parar numa rua decadente mas luminosa entre o Mar Mediterrâneo e umas barracas de madeira cinzenta, velha e podre. A cabeça pede descanso, e a preguiça que me está a dar(!)… Encosto-me ao encosto de cabeça. Mas o ambiente é muito pesado lá fora. Decido fazer o menos aconselhável, sair do carro e caminhar um pouco, ao longo do cais de madeira. O ambiente é mesmo esquisito! Volto para o carro em menos de cinco minutos. Que quadro! O carro ambienta-se mesmo! Parece ser local! Hora de ir embora.

Vou ter mesmo de ir com tábua pregada! Mas mal entro na auto-estrada avisto dois carros patrulha em menos de três minutos. A estrada mais patrulhada do Mundo? Parece. E o meu carro parece ser a estrela deste filme, pelo menos desde que cheguei a Marselha.

Decido parar em Aix-en-Provence, passada apenas meia hora. Janto por aqui. E durmo por aqui também, pois estou a aproximar-me perigosamente de Mónaco e tem de sobrar alguns cobres para o resto da viagem. Fico no Hotel de France. Janto no Hotel de France. A entrada estilo artes e ofícios fica muito bem num hotel em Aix-en-Provence chamado Hotel de France, e o quarto é mesmo simpático

Dia 3

sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Parto de manhã cedo mal o check-out me foi permitido: 7 horas da manhã. Não vou repetir os erros de ontem. França era para atravessar num dia. Meto-me a caminho. O meu carro continua a atrair olhares policiais como se tivesse mel. Nunca vi tantas patrulhas por quilómetro como nesta estrada, principalmente depois de me abeirar do mar. Decido sair da auto-estrada em Cannes. Apetece fazer a Côte d’Azur por estradas locais, apreciar a calma e o Sol locais.

Uma hora perdida em Cannes, onde tudo parece tirado de uma aguardela em tons pastel. Volto à auto-estrada. Destino: principado do Mónaco.

Chego ao Mónaco às dez e um quarto. Aqui o interesse vai ser passar pelo túnel e pela curva apertada incluídos no circuito urbano de fórmula 1. Continuo a achar que há polícia a mais por estas bandas. Hora de deixar a terra dos iates e partir de novo para a estrada. Passo ao pé de San Remo mas decido não parar, vou para Génova. Onde chego já depois da 1 hora.

2º parte

Itália! Que país maravilhoso! Sentímo-lo ainda antes de cruzar a fronteira. Maravilhosa cultura latina no seu pico! Outra boa notícia: chego hoje a Stélvio, o objectivo desta viagem.

Génova, cidade consagrada a um dos pecados capitais. A soberba. É sem dúvida o pecado mais insuportável. Mas perante o que nos entra pelos olhos a dentro… É uma cidade soberba, plantada numa encosta frente ao mar, com um porto magnífico e este peixe é delicioso! Gloriosamente regado a Cinqueterre, orgulhosamente básico. Faz-me lembrar algum vinho da casa que tenha bebido numa tasca em Portugal. Sinto-me em casa. Parece que estou na minha terra, mas com uma paisagem e língua diferentes. Pelo menos se eu pudesse ter uma segunda casa, a Ligúria seria a maior candidata. Léon valeu pelo que os olhos viram, Génova vale pelo que todos os sentidos sentem. Cada vez mais consigo o efeito pretendido quando me decidi por esta viagem. Hora de me levantar para os últimos 370 km para chegar ao Parque nacional de Stélvio, nos Alpes.

Cinco menos um quarto: Milão. Meu Deus, Itália é mesmo sumarenta! Concentrado de quadros edílicos. Prometo que paro só por uns minutos. Tanto para vêr... Tudo fica por ver! Muffin num McDonald’s e já estou na estrada de novo. Passo por Monza pouco antes das seis.

Agora sim, vou ver a personalidade do Alfa 75. Como ele se portou bem até agora no caos de Itália! Mas a partir de Monza entramos num Mundo completamente diferente: as curvas ascendentes até aos Alpes.

3ª parte

A estrada serpenteia, o Alfa comprova a sua agilidade com temperamento latino. As descargas de adrenalina sucedem-se, a máquina infernal solta os seus 150 cavalos tudo menos amestrados. O carro não ameaça virar-se contra mim, perdoa os pequenos erros, estende-me o braço quando parece querer fugir. Este carro quer a minha confiança. Mas por vezes parece também dizer nas entrelinhas que não vai admitir um abuso que seja. Esta é uma relação, um casamento entre o homem e a máquina. A máquina é uma senhora à mesa, com o seu conforto e equipamento e pose na estrada. Mas é uma louca na cama, entusiasmante e desvairada nas curvas e à saída delas. Impressionante a simbiose entre a estrada, a máquina e o homem. A direcção dá-me toda a informação que preciso, interpreta na perfeição todos os meus comandos. E que bem que medeia toda a minha relação com o asfalto.

Isto promete.


09 setembro, 2009

Vou traduzir (ou tentar) uma notícia que li na web acerca do nosso jardim à beira mar plantado:

“Oh Senhor, podem as coisas ficar ainda piores? Conseguiste finalmente a compra de um dos teus carros de sonho. O único no país, até. Vais levantá-lo ao stand e tomas consciência que é tudo o que sempre sonhaste e desejaste num carro. É um Fiesta 2.0 ST (que é a mesma coisa que TS, ou tarado sexual - esta fui eu que inventei). Tem motor de 150 cavalos capazes de acelerar até 210 km/h, ou até mais se houver estrada suficiente. Mas como se trata de Portugal, se calhar são 90Km/h a mais... embora queiras abrir as válvulas sempre que o permitam. Até nem mantiveste segredo que chegar aos 210 é uma facilidade e que agradeces a Deus nunca teres sido apanhado pela pesada mão da fiscalização. Até nem és do género de não quereres partilhar estes prazeres terrenos.

Mas agora chega um grupo de auto intitulados cidadãos auto-mobilizados a fazer campanha por estradas mais seguras, e decide fazer uma caça às bruxas. Até se dão ao trabalho de escrever para o Vaticano para te encorajar a resistir às tentações da velocidade. O porquê de envolver o Vaticano? Porque és um padre, é por isso! Esta é a história do padre António Rodrigues, o único dono em Portugal de um Fiesta 2.0 ST. Tu até dizes que não és nenhum louco por velocidades, mas que queres ser capaz de estar presente a tempo e horas nas missas das três paróquias a que presides. A associação cita parte da sua carta ao Papa: “ Nós pedimos a sua Santidade que ajude este infeliz a ponderar a gravidade dos seus actos, a resistir à tentação da velocidade e aceleração”

Como se não bastasse o voto de castidade, agora isto!”

Digno de aparecer naquele programa da Euronews, no comment.


Mas como neste espaço somos todos democráticos, mesmo mais ainda que José Sócrates, Manuela Ferreira Leite e ainda mais mesmo que Alberto João Jardim (agora que mencionei estes nomes vou conseguir a atenção da inteligência interna e daí talvez dos motores de busca...), então o que nós queremos mesmo é comentários!



"No ano em que completas 18 anos...

O ano em que completas 18 anos é um ano muito importante. Com a maioridade tens obrigações a cumprir, ganhas o poder de exercer a tua cidadania e de fazer opções que influenciarão, decisivamente, o teu futuro.

  • É o ano em que tens de comparecer, obrigatoriamente, ao Dia da Defesa Nacional ou ficas a ter conhecimento da data da sua realização;
  • É o ano em que já podes apresentar a tua candidatura à Marinha, ao Exército ou à Força Aérea e usufruir dos atractivos Incentivos que os regimes de Contrato e Voluntariado te oferecem."

Já não tens 18 anos? Ainda não tens 18, mas até costumas fazer rir o pessoal durante aquelas aulas mais aborrecidas?
Continuas a poder exercer o teu dever de cidadania de forma activa.

Basta para tal fazeres compras na TV-Shopping.
ou se não tens dinheiro, basta mandares o teu mail com um primeiro texto que fazias gosto de publicar neste blog para vitoredusantos@gmail.com. Não precisa de ser o teu mail "oficial" nem o teu nome verdadeiro. Desde que o texto tenha alguma graça. Ok, mesmo que não tenha graça nenhuma...
Ou se ouviste falar de algo que gostarias que os outros ouvissem também.
Ou se simplesmente achas que consegues escrever sem erros ortográficos, o que hoje em dia te dá um grau um pouco acima de muitos graduados que andam por aí.

Se te achas cumpridor dos requesitos, então manda mail para te adicionar como criador neste blog. Cabem 100 (cem). Num Sharan só cabem 7 (sete).

Num Mundo perfeito toda a gente devia conduzir Porsches! Políticos, em vez de vomitarem discursos estúpidos e egocêntricos, deviam finalmente aprovar aquela lei difícil, mas absolutamente justa e necessária. Todos os Homens devem ser obrigados a ter Porsches. Queres um utilitário? 911 Turbo para os senhores e Targa para as senhoras. Mas também existem as variantes descapotáveis e com quatro rodas motrizes para os gostos mais requintados.

Queres algo maior e mais espaçoso? o Cayenne, o único carro que tem o nome de pimenta vermelha, até já tem uma versão diesel para os mais forretas. É um familiar que queres? Sim, também existe disso! O Panamera é a resposta. Tem conforto. Tem espaço interior. Tem segurança. Tem estilo, requinte e luxo impossíveis de obter noutro qualquer familiar.

Queres algo diferente do resto? Tens sempre o Boxster ou o Cayman, para uma volta pela Rua da Oura, ou Parque das Nações.

É fácil, não é? Tudo é organizado, claro e no seu correcto lugar. Sem dezenas de variantes, sem lançamentos pomposos de novos modelos que mais não são que novas roupagens para plataformas já vistas em dezenas de outros carros à muitos anos para cá. Sem todas aquelas coisas que vão acabar por avariar, arruinando os nossos dias com painéis que parecem árvores de natal a piscar. Fim aos maus carros!

Vamos todos trocar para Porsches! A partir de agora todos vamos ter um carro que vai sempre ter a potência suficiente, extremamente estável, espantosamente bem montado, fantasticamente bem proporcionado e, acima de tudo criado com respeito e paixão.

Criado por engenheiros que nunca riem, que comem só o necessário e que só saem de casa para trabalhar e para ir buscar os miúdos ao infantário. Carros esses que, claro que também avariam, mas quando o fazem, fazem-no por uma boa razão. Mas acontece muito raramente. E quando acontece, acontece com estilo e classe e a luz que acende, parece pedir desculpa pelo sucedido

Parece incrível como ainda há gente que escolhe passar pelas agruras de se passear com esses carros sem sentido, baratos, comuns, ... insossos.

Estás a ver?, um Porsche é mais que um qualquer carro como o que conduzes agora. Sim, é um carro que, embora não pretenda ser a “ultimate driving machine” como os vizinhos da Baviera, se conduz com delicadeza e não como um kart. O Pessoal que gaba os seus carros apenas por este pequeno detalhe passará o resto das suas ridículas e miseráveis vidas nas oficinas com as suas susceptíveis ao clima e às estradas “ultimate driving machines”.

A Porsche oferece-nos a paz de espírito que os outros tentam oferecer aos seus clientes, mas também montes de potência, um motor que se chama motor, e mais importante que tudo: segurança. Mas segurança como na vida real, não segurança medida em laboratórios por bonecos com alvos marcados na cabeça.

Vamos fazer uma revolução! Vamos fazer uma petição e reclamar o nosso direito ao carro perfeito. vamos todos conduzir um Porsche! Um Porsche em cada garagem. Um Porsche em cada lugar de estacionamento. Um Porsche para cada família. Um Porsche pintado de verde alface para a Quercus, assim, depois de o conduzirem, faziam um “minuto verde” a aconselhar Porsches para todos. Aliás!, um Porsche verde com um autocolante no vidro de trás a dizer: “I coração Terra” ao lado de outro a dizer “www.salvemolinceiberico.pt”. Vamos ser capazes de tudo para todos poderem andar de Porsche.


Num Mundo perfeito... mas este mundo não é perfeito, aliás longe de ser perfeito. E, diga-se de passagem, Porsches são criados por ratos de laboratório. Gente cuja ideia de divertimento é calcular Pi até à décima casa decimal. Pois a minha ideia de divertimento passa por coisas diversas e diferentes do último. Por isso porque não um Alfa Romeo?

03 setembro, 2009

O sucessor do Alfa Romeo 166 vai ser montado na fábrica da Chrysler em Brampton, Canadá, a partir de 2012. Segundo várias páginas .com de órgãos de informação canadianos a unidade de produção substituirá mesmo a unidade da FIAT em Mirafiori (que entretanto foi vendida a um construtor chinês) na produção do novo modelo cujo nome continua no segredo dos deuses. Se as previsões do câmbio do Dólar em relação ao Euro se mantiverem a longo prazo o plano é que todos os 169 sairão de Brampton.

O 169 faz parte de um plano já com alguns anos, de assalto ao mercado americano para competir directamente com Acuras, Volvos e Lincolns e morder os calcanhares a Mercedes, Audis e BMW. Dizem as paredes dos escritórios da Chrysler que o 169 aponta para vendas anuais no mercado norte-americano entre 10.000 e 15.000 unidades o que o tornaria no maior destino mundial deste modelo. Os preços começarão nos 60.000$, o que é muito para os concorrentes directos, mas o suficiente para se bater com os alemães com o argumento preço. Os mesmos executivos afirmam que a fábrica produzirá também o Chrysler 200C (carro eléctrico) e o Dodge Callenger (conhecido por alguns de nós como sendo um muscle-car, com todos os defeitos que daí advêm - motores muito potentes, mas muito gastadores e muito pouco refinados, má qualidade de construção e muito pobre condução, basicamente carros para drag-races). A Plataforma para os três veículos é a LC. Trocando por miúdos: é a versão curta da LX. OK, continuam na mesma. Passo a explicar: A Chrysler chama-lhe de full syze RWD platform. A Chrysler diz que é uma plataforma criada na américa com componentes emprestados do Mercedes classe S W220 (começou a sua comercialização em 1998...) e do classe E W210 (lançado em 1995...), com consequente peso, ou seja pesa tanto como uma baleia azul.

O plano de lançamento do 169 previa o lançamento em 2009 ou 2010, mas a crise financeira mundial, a indefinição sobre que plataforma usar e a aquisição entretanto de lugar de decisão por parte da FIAT na assembleia da Chrysler atrasou o lançamento para 2012. Segundo um dos fornecedores italianos para o modelo que foi contactado por um jornal canadiano, a produção do 169 vai-se prolongar pelo menos até 2018.

Mantém-se a intenção de produzir Alfas na América e Chryslers na Europa.

Agora eu pergunto:

1º- A comercialização do sucessor do 166 só começará na América em 2012. Partindo do princípio que na Europa as datas de lançamento serão similares, como o último 166 saiu de mirafiori em 2007 e o primeiro 169 chegará à Europa em princípio em 2012, estamos a falar de uma marca que tem intenções de se afirmar como premium, mas sem navio-almirante durante 5 anos...

2º- Se vai custar a partir de 60.000$ na América, mais custos de importação quanto vai custar na Europa? Em Portugal por exemplo, onde a carga fiscal é avassaladora e as margens até são grandes, ao contrário do que os importadores alegam.

3º- A fábrica de Brampton vai produzir, sobre a mesma plataforma, 3 carros de filosofias radicalmente diferentes: o Chrysler 200C EV ( carro eléctrico maior que o Toyota Prius que faz lembrar o Opel Insignia depois de tomar esteróides), o Dodge challenger (muscle-car, traduzindo: carro com um motor V8 que canta como uma metralhadora e que tem o refinamento da mesma. Ainda por cima montado em cima de molas de esferográfica e com precisão de direcção de uma chaimite) e também o Alfa Romeo 169 (um carro de luxo desportivo executivo refinado italiano)? Os trabalhadores canadianos devem ser os melhores do Mundo para assimilarem todos estes conceitos ao mesmo tempo e conseguirem materializá-los na construção de dois carros que têm a alma de uma galinha de aviário e de outro que transporta a tradição e a finesse de 100 anos, ao lado de Bugatti e Duesenberg e Maseratti e Dodge... (ah, é verdade, eu não queria dizer Dodge pois não?)

4º- Outra coisa, e não me vou demorar que este tópico já vai longo. Era uma vez na Terra da Brunilde e do Wagner. A terra chama-se Sindelfingen e fica na Alemanha. Esta terra tem longas auto-estradas com rectas intermináveis e as pessoas são carecas e obesas ( as pessoas não, os Homens. As mulheres são loiras, altas e esguias e conduzem alfas 147 e passam as férias na Rua da Oura em Albufeira...). As pessoas entram no trabalho às 8h da manhã, montam Mercedes E Klasse como se de relógios suíços, saem às 5h, são transportados pelos seus mercedes até ao infantário para levantar os miúdos, que até são bem comportados, fazem o jantar para se deitarem bem cedo depois de uma tertúlia familiar defronte da lareira. O Wagner assassina prostitutas e enterra-as no quintal das traseiras e a Brunilde faz abortos que guarda cuidadosamente na arca congeladora guardada numa divisão secreta na cave. Isto nas horas vagas, porque das 8 às 5 trabalham na fábrica da Mercedes. Nesta terra de encantar produziram desde o início da década de 90 do século passado uma plataforma com a tecnologia que era um grito então. O objectivo dessa plataforma era ser a base de carros pesados, e por isso lentos, seguros, cómodos, fiáveis (essa saiu furada...), com todos os valores que conhecemos de um táxi. Se um táxi fosse interessante de conduzir... Um Alfa 169 não pode ser construido sobre uma plataforma adaptada pelo Ike de pescoço bronzeado de uma outra pensada pelo Wagner no século passado para carros funerários.

02 setembro, 2009

Antes de mais eu queria deixar aqui uma reflexão. As mulheres.
As mulheres gostam de competir umas com as outras. Competem pelos Homens das outras, competem para ser a estrela da noite, competem pela saia mais curta, pelo top mais revelador, pelo score mais alto. Recentemente até descobriram que são mesmo Mulheres e que afinal não há problema absolutamente nenhum em ser Mulher, e que até é uma grande coisa nascer com uma boceta. Existe a consciência de ser Mulher e até a noção que isso lhes pode trazer alguns benefícios perante aqueles homens que se esqueceram da noção daquilo que os faz Homens. O que eu até acho muito bem.
Bem, já me estou a despistar. Tudo isto para dizer que as mulheres tomaram consciência de si mesmas como não me lembro na minha existência. Nesse percurso começaram a usar a indumentária mais feminina de que se possam lembrar e encontrar. Quilos de acessórios e betume na cara (não me entendam mal eu até estou a adorar o processo!), e algumas calças com aquela forma de inspiração oriental em que parece que alguma coisa estará a ser armazenada entre pernas... Neste caso em particular confesso que não sou o maior admirador pois modelos há em que o equilíbrio das formas e o gosto roça o discutível. Mas hoje em dia o importante é seguir as tendências a todo o custo, mesmo que o preço a pagar seja o assassinar das vistas.
O Alfa Romeo MiTo é um fashion statement só por si, seja de que ângulo se olhe este carro pretende-nos impressionar pela sua vestimenta de linhas fluidas e elegantes.
De facto a moda por aí está demasiado "Indianizada", então foram convidados alguns estilistas para desenhar calças de ganga de marca MiTo para serem vendidas para benefício da beneficência. Mas afinal o que é que as calças de ganga têm a vêr com um carro? Mas descansem que ao menos não são calças para esconder as formas ou falta delas das mulheres, mas são de corte estreito, direito e de gancho alto (lembram-se das City Jeans?) para revelar e sublimar as formas das mulheres altas e magras, tal como víamos na tv americana do início dos anos 1990...

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oiniões?

Vou repetir o que escrevi em primeiro lugar neste blog para o apresentar:

"Mais que um repositório de notícias do Mundo automóvel, onde eu nem sequer vou esconder que sou um tiffosi da marca de Arese, este blog pretende ser um espaço de debate onde todo e qualquer um, mesmo que seja adepto de carros coreanos(...!), pode escrever o que bem lhe apetecer.

Fica desde já prometido, quando a minha muita preguiça e poucos conhecimentos de informática o permitirem, um website com muito mais possibilidades do que este blog.

Pretendo então que este vosso sítio seja bem pior que um qualquer pasquim desportivo da nossa praça.

Espero que ao menos sirva para nos divertir a todos, nem que seja apenas para exorcizar o stress com umas caralhadas, e quando a tecnologia o permitir, escacar veículos de que não nutrimos grande afeicção com uma pesada marreta!"

vou repetir mais uma vez:

"este blog pretende ser um espaço de debate onde todo e qualquer um, mesmo que seja adepto de carros coreanos(...!), pode escrever o que bem lhe apetecer."

É mesmo isso, é mesmo para quem quiser escrever umas coisas quaisqueres sobre o que muito bem lhe apetecer, desde que inclua carros.

Dou um exemplo: suponhamos que até apetece chegar aqui ao blog e contar, debaixo de um nome tipo: "o rebenta-cus", que sob o pretexto de haver muito trabalho, ontem houve uma chamada para a esposa a dizer: "filha desculpa. Sabes como é, viemos agora de férias e tenho mesmo de ficar mais umas horas a compensar trabalho que está atrasado". entretanto ficou foi a experimentar a posição de carrinho que viu durante o dia na net quando não havia nada para fazer com aquela estagiária nova com o enorme parzorro.


Apenas estou a dar um exemplo, não estou a sugerir nada. Muito menos que o façam para ter um pretexto de vir aqui escrever umas linhas.

Carros é só o pretexto para vir para aqui e escrever o que normalmente até tem medo de falar!

31 agosto, 2009

Big Brother

Está a ser dado mais um passo para a implementação do Big Brother. Depois do multibanco, da via verde e das câmaras em circuito fechado e outros quejandos (alguém já olhou com atenção para as utilidades do Google?), eis que temos o chip de matrícula.
O que vem a seguir? O chip pessoal como nos cães? O código de barras tatuado no pescoço?
Mais um passo para o tracking dos portugueses. Há dias descobri que o Google fotografou todas as ruas e caminhos da Grande Lisboa e Grande Porto, tal como já tinha no resto do "Mundo civilizado". Os portugueses tinham as câmaras em circuito fechado, o NIF, o multibanco, e a via verde, além de um sistema de inteligência interno dos mais complexos e abrangentes do "Mundo livre".
Todos os veículos permitidos em auto-estradas em Portugal vão ser obrigados a usar o chip de matrícula. "O polémico «chip» de matrícula será obrigatório a partir do próximo ano e gratuito para quem já possua identificador «Via Verde»." disse uma fonte oficial à agencia Lusa.
Quem me garante das verdadeiras intenções de tal medida?
Já não basta vivermos numa sociedade castradora e de processos judiciais sempre que alguém parte uma unha?

Bienal de Frankfurt

Para a maioria de nós, Frankfurt am Main é conhecido principalmente pelo seu aeroporto e por ser a capital financeira da Europa. Dentro da população em geral existe um grupo de “geeks” que se interessa sobremaneira sobre a temática automóvel. Esse grupo gosta particularmente do mês de Setembro dos anos ímpares. Porquê? Porque é mais ao menos a meio desse mês que se realiza a maior exposição automóvel do mundo, a bienal de Frankfurt. Para aqueles que acharem a bienal de Cerveira mais importante, então apelo a que desliguem imediatamente, tirem toda a roupa e vão a correr nús e por depilar declamar “Romeu e Julieta” em Servo-Croata para a frente da embaixada da Macedónia na Ilha de Java na Indonésia.

Posto isto, e agora que só nós, os interessados estão presentes para lêr as crónicas do vosso escriba favorito, vamos lá então.

Antes de mais estou a escrever mais este no dia 31 de Agosto, ou seja, um pouco antes da abertura que vai acontecer a 17 de setembro da dita feira Messe. Também não vou estar presente, a não por obra e graça (principalmente graça) do espírito santo. Passo a explicar que escrevi com minúscula não pela minha crença ou falta dela, pois isso não altera convenções, mas porque continuo a acreditar no poder do colarinho branco, nem que tão escuro ele se apresente de momento.

Basta de divagações.

É de uma previsão que se trata.

Previsão número um e a mais “genial”: novidades novidades, vão ser mais as teutónicas. Como sempre e porque santos da casa até fazem milagres, em tempos de crise não faltam novidades, pelo menos em salões automóveis.

Quando sai mais uma versão de um 911, eu pergunto-me se se trata realmente de uma novidade. Neste caso vão ser reveladas 2 versões: o Turbo e o GT3 RS. Decifrando: a Porsche envia cá para fora os modelos direccionados para os dois tipos de clientes hard-core que existem. O 911 Turbo, para o cliente que tem enormes quantidades de dinheiro no banco e está disposto a gastar uma pipa de massa para poder dizer que conduz o 911 mais potente, mas como já sofre do ácido úrico derivado de 30 anos de convivência à mesa com clientes, não pode ir para o despido de extras e revestimentos, e vestido com roll-bar e volante fornecido pela Hello Kitty 911 GT3 RS. Este Rambo dos 911 até tem menos potência, menos peso e menos equipamento, mas tem roll-bar e adrenalina só recomendáveis a track days. Por isso, senhores com cinquentas, vamos lá dar um salto ao ginásio, para dar umas voltas nessa máquina verdadeiramente infernal.

O Gullwing voltou. A marca da estrela volta a apostar num modelo desportivo high-end cinquenta e cinco anos depois. O Golf vai ter um R (GTi de 265cv). Temos também mais uma grande berlina de cinco portas com ares de coupé chamada Audi A7 (também por lá vai estar o A5 de 5 portas...). De Ingolstadt chega também o R8 Spider e o R8 eléctrico(?). Na Baviera gostam de criar sub-segmentos e não podiam ficar para trás nos super-desportivos da EDP e também vem aí um do género... Quanto aos eléctricos, fica prometida uma opinião deste vosso para outra ocasião. BMW X1 para fazer número e X6 e série 7 para quem tem dinheiro, mas remorsos também.

O Mini vai ter um dois lugares com pormenores a fazer lembrar o primo afastado Citroen DS3, mas com uma versão JCW de 211cv a diferenciar ( o MiTo GTA vai ter 240cv!!), mais o Countryman, para quem gostar de caminhos de cabras.

Abaixo dos Alpes, e como alguém não aguentou o segredo, temos o sucessor do Alfa 147, o Milano, um ano antes do previsto (maravilhas da internet e dos telemóveis com lentes). Também o Punto evo, restyling do Grande Punto. A vedeta da terra do Chianti é o F458 Itália, “podre” de lindo e com pimenta no cú que chega para três saídas de escape.

Do extremo Oriente ninguém quer saber o que eles trouxeram para lá, apenas Sócrates neste momento se lamentará que a Nissan (que nem sequer se deu ao luxo de aparecer) não mostre o Leaf (...), mais um movido pela EDP.

Das terras de sua majestade só a versão definitiva do Aston Martin Rapide merece menção, pois pelos últimos filmes do 007, também James Bond estará a pensar constituir família. Serei eu o último dos grandes playboys internacionais?

25 agosto, 2009

Carro-bomba fere 42 na Tailândia

42 ficaram feridos hoje num atentado no Sul da Tailandia, dos quais 4 em estado muito grave.

“O autoblogportugal perdeu o sentido de humor e candidata-se a concorrente da Reuters?” Não definitivamente não.

Também não vou dissertar acerca do efeito nas cabecinhas dos pobrezinhos dos tailandeses que iam a passar à frente daquele restaurante. Admitam lá que a quantidade de notícias do género também já criou filtros nas vossas consciências também.

Estou aqui para analisar aquilo que até hoje ninguém se lembrou de analisar.

Então e o carro? Ninguém pensa no carro?

É que o bombista suicida, com uma lavagem ao cérebro ou não, foi para lá de livre vontade, mas o carro? não, o carro foi para lá conduzido.

Admito que alguns poderão pensar: “provavelmente foi num Hyundai ou num Chevrolet ou coisa similar e aí até o dono agradeceria semelhante obra de caridade”. Outros ainda pensarão: “não me parece que o bombista fosse num Alfa Romeo 8C Competizione ou num Honda S2000, pois a pouca quantidade de explosivos que poderiam carregar apenas serviriam na cozinha para tornar o buffett mais picante. Ou maffiosi como dizem os nossos amigos transalpinos” outro lembraria que o bombista teria que levar o carregador na mão pois o Honda nem porta luvas tem, o que seria uma chatice se se cruzasse com uma brigada da polícia pelo caminho.

Pois é, ninguém se lembra do carro.

Lembram-se daquele reclame (adoro esta palavra) da Peugeot filmado na Índia? Imaginem que se tratava daquele Tata que o seu dono transformou num 206 com tanto amor, carinho, dedicação, uma marreta e dois martelos. Não iam ter pena se fosse esse a ser pulverizado por duas centenas de quilos de explosivos de fabrico artesanal? Eu ficava triste. Imaginem que eu comprava um clássico numa sucata, desmontava o dito, mandava para a decapagem, inventava os pedaços de chapa que já não eram pois tinham-se transformado em corrosão, pintava o carro, montava o carro aos poucos pois as peças que necessitavam de ser substituidas seriam muitas e não existem amiúde no mercado como queijos em França, montado tudo com paciência e amor. Tudo isto a demorar por vezes anos. Depois vem um Mohammed, e resolve fazer desaparecer o resultado de todo esse amor e dedicação num décimo de segundo? De qualquer maneira não me parece que o bombista se dê ao trabalho de na noite anterior roubar o Cadillac do embaixador norte-americano e encha a enorme mala de malaguetas para provocar uma desinteria no pessoal a dormir no Marriot.

O carrito estava na sua vida, sem se meter com ninguém e de repente vai pelos ares sem culpa nenhuma.

Agora uma prós Duros

A vasta gama do Porsche 911 (quase tão vasta como a do Renault Mégane), foi enriquecida pela versão DURA da versão DURA do 911, o 911 GT3 RS.
Agora estão à espera que eu vos diga quantos cavalos, quantos segundos dos zero aos cem e qual a velocidade máxima? Isso são coisas de paneleiros. E este artigo , ou post ou vómito, conforme lhe quiserem chamar é sobre um dos últimos símbolos dos duros, a versão racing da versão racing de um dos carros mais racing que as nossas estradas já viram.
A única coisa que vou aqui dizer é que tem um roll-bar, que é definitivamente uma coisa de duros, e um volante todo fôfo, que normalmente até seria uma das coisas mais paneleiras de me que poderia lembrar, mas que neste caso até tolero!

Mais notícias Gay

Querem mais notícias Gay?
"Não! Por favor poupa-nos!" Respondeu uma multidão de centenas de personagens imaginários.
Não faz mal eu sirvo-vos mais uma de bandeja.

Ronaldo, que tem uma fila de carros com volante à direita, decidiu avançar para a compra de um carro com volante à esquerda, até porque dá jeito começar a conduzir do lado correcto das estradas de Madrid. Porque é que só agora se lembrou? Talvez porque saiba que Ibiza fica numa ilha e porque só agora é que a Audi se lembrou de juntar um motor Lamborghini com dez cilindros em V, com os pistões a trabalhar num volume de cinco litros e qualquer coisa e a debitar quinhentos e tal cavalos a um R8 que até agora "apenas" tinha um V8 com quatrocentos e vinte cavalos a soar como um caça da II Guerra mundial. Tal e qual como no Lamborghini com portas normais... Até vai ser um dos primeiros a poder dizer que possui tal máquina infernal. Pois é, este tem tracção às quattro e até tem um computador alemão que distribui as forças pelas rodas e até dá uma ajuda quando o Cristiano Aveiro ouvir aquela chamada da Nereida a ameaçar contar as fintas e rasteiras que fizeram um ao outro quando ninguém estava a vêr à Tv Guia.
E qual a razão de eu incluir esta não notícia digna do Jornal Nacional de sexta na TVI nesta vossa preferida secção deste vosso blog? Talvez inveja do vosso escriba preferido que insiste em não poder conduzir R8's V10 e outros que tais como o visado. Nem tratar de vida sem qualquer noção de algo remotamente parecido com bom gosto, ou sequer articular três palavras seguidas com nexo que não constem da última edição do "Dicionário do personagem de futebol", escrito pelo treinador de risca ao meio mais famoso do momento e que cabe até no folheto desta semana da Media Markt.

Maseratti GranCabrio

Sempre achei que descapotáveis de quatro lugares eram coisas dignas apenas para ditadores da década de 1930 e para aspirantes a Kennedys que concerteza queriam levar com ovos, tomates, talvez até dióspiros bem maduros. Mas estou tentado a dobrar a lingua e admitir que a Maserati acertou na mouche.

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Mas quem sou eu para falar que nem para um 206CC tenho? E nesse caso mais valia é estar quietinho!

Adivinham-se as mesmas mecânicas do GranTurismo, mas com um pouco mais de "lastro" a bem da rigidez. O primo do 8C Spider até nem lhe fica a muitos anos luz de distância. Isto é que é economia de escala. Enquanto a VW multiplica o Golf em mais de uma dezena de outros diferentes nomes e formas (bem, quanto às diferentes formas, algumas até nem são tão diferentes assim), a FIAT multiplica os seus pontas de lança.

24 agosto, 2009

Agora as notícias Gay...


Um herói salvou o seu colega de morrer atropelado por uma mulher debaixo do efeito de drogas enquanto ambos trabalhavam numa estrada perto do aeroporto J. F. K., segundo a polícia local.

"A condutora seguia seguramente a cerca de 100km/h”, assegurou o agente que tomou conta do caso. Nenhum dos dois trabalhadores escapou ao carro desgovernado. Bobby Keller, que partiu um tornozelo, admitiu que se o colega, Michael Hudson, que se encontrava imediatamente atrás de si e que acabou com uma perna amputada abaixo do joelho, não o tivesse desviado da trajectória do veículo teria certamente morrido.”Michael foi o meu anjo da guarda!”.

Os dois amigos trabalhavam juntos desde Maio nas obras nas estradas e no momento da fatalidade combinavam precisamente um jantar juntos. Foi esse Nissan desgovernado que lhes interrompeu abruptamente os planos de um agradável(!) serão. Um antigo amigo de Michael disse que quando soube do acidente se apressou para o local e ao chegar quase desfalecia ao visualizar a cena. A mãe de Bobby declarou que “é uma alegria ainda ter o meu filho”.

A condutora do Nissan pagou 250.000 dólares para aguardar julgamento em liberdade e enfrenta pena de prisão até sete anos de cadeia efectiva


O folhetim Opel

A Opel é conhecida por fabricar carros pra recém encartados, reformados da função pública e incontinentes. Sim, porque só gente que não se sente prefere um Astra a outro qualquer concorrente. A fórmula da Opel esgotou-se e não é de agora, Lembram-se do Corsa B? Enorme êxito, motores fiáveis num pacote atractivo. O ícone do Bio-design, a prova de que afinal os japoneses também sabem desenhar carros, mesmo que numa marca alemã. Quase ao mesmo tempo a primeira Astra SW dominava no segmento a seguir, por sinal o mais importante na Europa. Depois desses gloriosos(?) anos 90 nunca mais a Opel conseguiu manter tais níveis de vendas. Razões? Será porque só recentemente o Corsa rompeu com as formas do Corsa B? (de best-seller ?) Mantém-seno entanto como um produto banal. O Astra é o carro mais filtrado que eu me lembro de ter conduzido. Claro que se eu fosse uma velhinha que quisesse um carro fácil de conduzir, aparentemente confortável e durável e que não me incomodasse os problemas de ossos e articulações e tivesse um pouco de bom senso que me afastasse dos preços proibidos do Golf, aí talvez fosse para o Astra. Mas..., seguindo estes critérios não existem propostas mais interessantes?

Resultado: uma cota de mercado sempre descendente desde o início do séc. XXI.

Resultado: o ramo mais rentável da GM e de onde saía maior parte da tecnologia usada fora da América do Norte, passou a ser dispensável para uma GM que precisa de dólares como de pão na mesa.

Algela Merkel, que para quem não sabe é a chanceler alemã, uma espécie de Sócrates mas que não esconde ser de centro-direita, começa a ficar com a água pela barba (sim porque para governar a maior economia europeia é preciso ter barba rija) com a GM com a indefinição quanto a quem vai vender a fracassada Opel e estabeleceu um dead-line de uma semana. Após o modus operandi que demonstraram na Azambuja lamento mas não lhes desejo melhor sorte, e muito menos pelos carros que fabricam.

A Canadiana Magna fez uma proposta mas a GM não parece convencida. Mas não esquecer que o estado americano é dono de 60% da GM desde a falência da mesma. O telefone vermelho não deve parar de tocar, não esquecer da força do IGMetal, o sindicato dos metalomecânicos alemães., apenas o maior e mais influente do Mundo e responsável por apenas serem produzidos modelos de nicho em Palmela...

Na Alemanha, a Opel representa 25.000 empregos directos. Claro que seria uma tragédia se a mesma deixasse de existir. espero que esta crise dê uma boa lição aos gestores de topo. claro que as maiores fatias de mercado são as mais apetecíveis, mas também são as mais concorridas. Os nichos são cada vez mais apetecíveis.

Infelizmente não vejo um mínimo cheirinho de mudança de mentalidades que este Mundo precisa. A última crise económica despoletou duas guerras mundiais. Infelizmente as crises de valores custam um bocado mais...

Lego Top Gear

Pois é, os 4 apresentadores do nosso programa de televisão favorito foram imortalizados na forma dos nossos tijolos favoritos da nossa infância. Bem,... admito que a minha foi passada com uma imitação barata talvez já na altura oriunda da China. Ok, ok! Também poderia ser das bandas de Águeda


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Desta vez o trio é tão silencioso como o Stig!


A quinta vedeta da foto é o Caterham Superlight R500 (sim 500cv, mas por tonelada!) Esse sim é um brinquedo.


What distinguishes men from boys is the price of their toys


Mais um concorrente nos Minis com pinta

Pois é, o segmento dos utilitários com pinta, que neste momento se joga a três, Mini, MiTo e 500 Abarth, teve mais um membro anunciado: o Citroen DS3.

A BMW tem criado praticamente todos os sub-segmentos que existem hoje em dia. O dos utilitários Premium não foi excepção. Até ao ano passado o Mini da BMW tinha militado sozinho neste segmento, até à chegada do MiTo da Alfa Romeo e do 500 da Fiat. Que igualaram senão o Mini no que o separava de um Clio: pinta e prazer de condução,

Estes factores muito importantes no dias de hoje: superiores margens de comercialização e imagem de marca, atrairam os olhares do vizinho alemão de Ingolstadt e o Audi A1 foi já anunciado à tempos. Mas a verdadeira novidade é o anúncio do DS3, da nova gama de veículos com pinta e o tal preço premium, da Citroen, os DS.

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citroen-ds3-concept-1.jpgA estrela da companhia vai ser o 1.6 Turbo com 150cv, já a rolar no primo 207 e também no Mini. Os preços vão rondar os praticados pelo C4 na mesma motorização mas sem a característica política de comercialização da restante gama da marca francesa.

Entretanto o Mundo aguarda pelo novo segmento: os mini-citadinos ultra mega super premium. A ser estreado pelo Aston Martin Cygnet, que é pouco mais do que um Toyota IQ com uma ultra mega super marca e um super preço...


Mais que um repositório de notícias do Mundo automóvel, onde eu nem sequer vou esconder que sou um tiffosi da marca de Arese, este blog pretende ser um espaço de debate onde todo e qualquer um, mesmo que seja adepto de carros coreanos(...!), pode escrever o que bem lhe apetecer.

Fica desde já prometido, quando a minha muita preguiça e poucos conhecimentos de informática o permitirem, um website com muito mais possibilidades do que este blog.

Pretendo então que este vosso sítio seja bem pior que um qualquer pasquim desportivo da nossa praça.

Espero que ao menos sirva para nos divertir a todos, nem que seja apenas para exorcizar o stress com umas caralhadas, e quando a tecnologia o permitir, escacar veículos de que não nutrimos grande afeicção com uma pesada marreta!